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Samhainn na Escócia: estação, memória e vizinhança

Um guia respeitoso sobre a herança de Samhainn na Escócia, da memória sazonal gaélica e das lanternas de nabo ao *guising*, à comida e a uma celebração contemporânea acolhedora.

Autor: Equipa editorial MemContinuity•5 min de leitura•31/10/2026•Atualizado: 31/10/2026•Progresso de leitura: 0%

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Ideias principais

  • Um guia respeitoso sobre a herança de Samhainn na Escócia, da memória sazonal gaélica e das lanternas de nabo ao guising, à comida e a uma celebração contemporânea acolhedora.
  • Samhainn é o nome em gaélico escocês da celebração sazonal associada ao início de novembro.

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Um limiar no ano escocês

Samhainn é o nome em gaélico escocês da celebração sazonal associada ao início de novembro. As festividades começavam tradicionalmente na noite anterior. Na memória cultural escocesa, assinalava o fim das colheitas e a passagem da metade luminosa do ano para a metade mais escura. A Historic Environment Scotland descreve-a como uma época em que as pessoas acreditavam que a fronteira entre o seu mundo e o Outro Mundo se tornava menos definida, permitindo que antepassados e fadas vagueassem. Essa crença pertence ao folclore, não a uma única prática religiosa moderna, mas ajuda a explicar por que razão a proteção, a hospitalidade, a narração de histórias e as adivinhações aparecem nos relatos sobre esta época. 1

Vale a pena abordar Samhainn como um conjunto de práticas moldadas pelo lugar, pelo lar, pela língua e pela época, e não como um código único seguido por todas as comunidades da Escócia. Em gaélico escocês, a véspera de Todos os Santos chama-se Oidhche Shamhna, e an t-Samhain é o nome de novembro. A posição que a celebração veio a ocupar ao lado do calendário cristão também faz parte da sua história: a Historic Environment Scotland observa que o Dia de Todos os Santos foi transferido para o primeiro dia de novembro durante o século VIII, uma mudança que poderá ter favorecido a assimilação com a antiga festa sazonal. 1

Para uma celebração atual com significado, comece pela própria estação. Repare no que foi colhido, armazenado ou trazido para dentro de casa. Prepare uma refeição quente com ingredientes locais. Reconheça a passagem para noites mais longas sem a transformar numa encenação de medo. Assim, a ocasião ganha um ritmo enraizado e deixa espaço para que cada pessoa se relacione de formas diferentes com a herança gaélica, as memórias familiares, a fé ou a simples hospitalidade outonal.

Fogo e uma luz à janela

O fogo era um elemento marcante dos costumes escoceses de Samhainn registados ao longo do tempo. O termo gaélico samhnagan era usado para designar fogueiras que, segundo o folclore, serviam para proteger contra presenças nocivas. A Historic Environment Scotland regista a competição entre fogueiras domésticas em algumas ilhas, enquanto, no continente, estas eram habitualmente acesas em pontos de destaque da paisagem. Estes pormenores mostram como a noite podia ser visivelmente comunitária, mas não devem ser entendidos como incentivo para acender uma fogueira em qualquer lugar hoje. 1

Uma adaptação responsável pode ser simples: use uma vela num castiçal estável, uma lanterna elétrica ou um pequeno candeeiro junto à janela, respeitando as regras de segurança da casa e do espaço onde se encontra. Que a luz simbolize calor, acolhimento e atenção, em vez de uma tentativa de reproduzir um ritual. Se uma fogueira ao ar livre fizer parte de um evento local organizado, siga as orientações dos anfitriões, as autorizações necessárias, as recomendações relativas ao tempo e as restrições de segurança contra incêndios. O essencial é cuidar das pessoas e do lugar.

As lanternas de nabo oferecem outra imagem escocesa marcante. Antes de as abóboras esculpidas se tornarem familiares, escavavam-se nabos — chamados tumshies ou neeps em escocês —, esculpiam-se rostos e iluminavam-se por dentro. Os relatos associam estas lanternas à vontade de afastar espíritos indesejados. A National Trust for Scotland descreve a textura difícil do nabo como parte da antiga arte de o esculpir; por isso, é melhor fazê-lo com calma, deixando que um adulto manuseie as ferramentas afiadas e recorrendo a uma fonte de luz segura. 1 2

A lanterna não precisa de ser grotesca. Um padrão simples, a forma de uma folha ou um rosto sereno podem criar uma luz acolhedora à porta ou sobre a mesa. Guarde a polpa retirada para fazer sopa ou puré de nabo, ligando a atividade à comida e evitando o desperdício.

Guising como troca entre vizinhos

O guising é um costume escocês conhecido, associado a esta época. Segundo as explicações registadas, as crianças disfarçavam-se para poder circular em segurança entre os espíritos errantes. Visitavam os vizinhos e recebiam comida ou guloseimas em troca de uma piada, canção, história ou pequena atuação. A troca é importante: a ênfase estava em levar algo até à porta, não apenas em receber algo. 1 2

Uma família de hoje pode preservar esse espírito de reciprocidade. Convide as crianças a preparar uma pequena atuação, sem obrigatoriedade, e deixe claro que ninguém tem de participar. Fale primeiro com os vizinhos, respeite quem prefira sossego e ofereça alternativas a quem não queira abrir a porta. Uma canção partilhada, uma saudação em gaélico — se for familiar às pessoas presentes — ou uma história de família pode ser mais memorável do que um simples disfarce. Evite tratar as antigas crenças ou as palavras gaélicas como adereços decorativos; explique o seu contexto e use-as com cuidado.

Os jogos e a comida também faziam parte do convívio dessa noite. O apple dooking, jogo em que se tenta tirar uma maçã da água sem usar as mãos, continua a ser um passatempo conhecido de Halloween. Na tradição popular, queimavam-se nozes para imaginar as perspetivas de uma relação: uma queima silenciosa era interpretada como bom sinal, enquanto silvos ou estalidos sugeriam problemas. A procura de couves como forma de adivinhação era outro costume, recordado no poema de Robert Burns Hallowe’en. 1 2

É mais atencioso apresentar estes costumes como histórias sobre o passado, e não como promessas sobre o futuro de alguém. Use recipientes limpos, maçãs individuais e alternativas acessíveis aos jogos com água. Permita que os convidados não participem nas atividades centradas em relações amorosas. O acolhimento deve ser mais amplo do que o jogo.

Um lugar para a memória

Samhainn também pode inspirar um gesto simples de recordação. O arquivo da Canna House, da National Trust for Scotland, preserva imagens e filmes de celebrações em South Uist. O relato regista comida, trajes feitos com materiais das quintas e um lugar à mesa deixado para acolher as almas dos familiares falecidos. Trata-se de um registo específico das Hébridas, não de prova de que todas as famílias escocesas seguissem o mesmo costume. 3

Essa distinção permite inspirar-se sem reivindicar para si uma prática alheia. Numa refeição de família, reserve alguns minutos para partilhar o nome, a fotografia, a receita ou a história de alguém de quem sente saudades. Deixe uma cadeira vazia apenas se isso for reconfortante para as pessoas presentes. Uma pequena taça de fuarag, uma mistura de aveia tostada e natas batidas registada como alimento de Samhainn, pode dar início a uma conversa sobre antigas tradições alimentares; a Historic Environment Scotland observa que, por vezes, se escondiam na mistura pequenos objetos para adivinhar a sorte. Sirva-a simples se esconder objetos puder constituir um risco de segurança. 1

A celebração de Samhainn mais respeitosa não é a mais elaborada. É aquela que repara na mudança de estação, abre espaço para os vizinhos e trata com humildade as histórias herdadas. Quer seja assinalada em gaélico, em escocês, em inglês ou em silêncio, em casa, a ocasião pode continuar a ser uma tradição sazonal escocesa viva quando se cuida igualmente das suas particularidades locais, do consentimento, da segurança e das memórias.

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