Uma mesa de homenagem em casa pode dar forma ao Dia de Todos os Santos quando não é possível visitar o cemitério, quando os familiares vivem longe uns dos outros ou quando a família prefere reunir-se de forma mais tranquila. Não precisa de ter um aspeto cerimonial. Bastam 3 objetos e 1 história verdadeira.
A primeira regra é que a mesa se destina às pessoas que estão na sala, não a uma audiência. Não é preciso fotografá-la, publicá-la nem deixá-la montada durante um período determinado. Pode ocupar um canto da mesa da cozinha durante meia hora. O que lhe dá significado é a atenção que torna possível.
Para as famílias católicas, o primeiro dia de novembro é a Solenidade de Todos os Santos; o dia seguinte é dedicado à comemoração dos fiéis defuntos.1 Em Barcelona, Tots Sants é também uma época cívica de homenagem aos falecidos, de visitas aos cemitérios, de levar flores aos antepassados e de partilhar alimentos de outono.2 Uma mesa em casa pode coexistir com essas práticas religiosas e culturais, sem as substituir. Para uma família secular ou de religiões mistas, pode simplesmente ser um lugar para contar 1 história e dizer 1 nome.
Comece com um propósito, não com a estética
Antes de reunir os objetos, decidam por que estão a preparar a mesa. Experimentem uma frase:
- «Queremos que as crianças saibam quem era a Rosa.»
- «Este ano não podemos viajar, mas queremos assinalar o dia juntos.»
- «Precisamos de um lugar tranquilo para nos lembrarmos do pai, sem organizar uma visita de grupo.»
- «Queremos preservar 1 história de família para que não desapareça.»
Um propósito claro impede que esta prática se transforme em mais uma tarefa num dia atarefado. Também ajuda a escolher o que deve ou não estar na mesa.
Escolha 3 tipos de objetos
A disposição mais simples usa 1 objeto de cada um destes grupos.
Um nome ou uma imagem
Pode ser uma fotografia, um cartão com o nome escrito à mão, uma inicial ou uma imagem de um lugar ligado à pessoa. Use apenas o que lhe parecer confortável. Algumas famílias preferem uma fotografia; outras acham mais fácil estar com um nome.
Se usar uma fotografia antiga, escreva no verso ou num caderno uma nota a indicar quem está na imagem, aproximadamente de quando é e quem identificou as pessoas. Uma imagem bonita sem nomes pode tornar-se um mistério muito depressa.
Um objeto do quotidiano
Escolha algo que evoque a vida real da pessoa, não a sua imagem pública: uma colher de pau, uma luva de jardinagem, uma fita métrica de costura, um cachecol de futebol, um cartão com uma receita ou um livro com uma nota familiar na margem. Se não tiver um objeto, escreva um hábito: «Ele levava sempre rebuçados para o motorista do autocarro.»
O objeto não precisa de ter valor. Muitas vezes, um objeto banal é a forma mais útil de um familiar mais novo começar a conhecer a pessoa. Mostra que ela tinha rotinas, aptidões, piadas e preferências, e não apenas uma data de falecimento.
Um elemento da estação
Um pequeno ramo, uma taça de castanhas, um prato para a refeição da família ou um simples tecido de outono podem ligar a mesa à estação. Em Barcelona, as castanhas, os panellets e as batatas-doces estão entre os alimentos publicamente associados a esta época do ano.2 Use o que estiver disponível e for seguro em sua casa. Não é preciso comprar nada de especial.
Evite deixar velas acesas ou objetos frágeis onde crianças, animais de estimação ou a azáfama da casa os possam derrubar. A mesa deve tornar o dia mais sereno, não criar mais uma preocupação.
Dê a todos uma forma de participar
Quando as pessoas se reunirem, expliquem que a participação é opcional. Alguém pode trazer um objeto. Alguém pode contar uma história. Alguém pode preferir fazer chá e ouvir. As crianças podem fazer um desenho, colocar 1 pergunta ou escolher uma canção de família para ouvir mais tarde.
Uma forma simples de começar pode ser: «Pusemos estas coisas aqui para nos lembrarmos da mãe. Podem dizer alguma coisa, perguntar o que quiserem ou simplesmente ficar aqui connosco.»
Isto é importante nas famílias em que o luto é recente, as relações eram complicadas ou convivem crenças diferentes. Ninguém deve ter de fingir proximidade para ter lugar no encontro.
Use uma pergunta que convide a contar uma história real
Uma mesa de homenagem em casa torna-se mais do que uma exposição quando dá lugar a uma conversa. Escolha apenas 1 pergunta:
- O que fazia esta pessoa para que a casa parecesse sua?
- O que lhe ensinou sem se aperceber?
- De que gostava que alguém mais novo talvez não saiba?
- O que é que quer continuar a fazer por causa dela?
Deixe que cada pessoa responda à sua maneira. Uma criança pode descrever o cheiro de um casaco. Um adulto pode recordar um momento difícil. Nenhuma das respostas precisa de ser corrigida. Se houver dúvidas sobre um relato, anote-as com delicadeza para confirmar mais tarde: «Achamos que foi a irmã dela que lhe ensinou essa receita.»
Se a fé fizer parte da família, dê-lhe espaço de forma simples
Os familiares católicos podem querer fazer uma oração, ler um texto, ir à missa ou dedicar um momento à intercessão. A Conferência Episcopal Espanhola descreve o Dia de Todos os Santos como uma celebração dos santos conhecidos e desconhecidos, e o dia seguinte como dedicado aos fiéis defuntos.1 Se esta linguagem for central para a sua família, use-a de acordo com a prática da sua paróquia ou da sua família.
Se outras pessoas presentes não partilharem essa crença, podem ainda assim participar sem que lhes peçam para dizer palavras que não lhes pertencem. Um minuto de silêncio, uma reflexão pessoal ou um simples agradecimento pela pessoa lembrada podem permitir que todos estejam juntos sem fingirem concordar em tudo.
Guarde o registo depois de arrumar a mesa
A mesa pode estar montada apenas durante 1 hora. O registo pode durar mais tempo. Antes de guardar tudo, escreva uma breve nota:
- De quem se guardou a memória?
- Que objetos foram usados?
- Que história foi contada?
- Quem esteve presente?
- O que deverá ser confirmado, identificado ou perguntado da próxima vez?
Guarde a nota com a fotografia ou numa pasta partilhada da família. Está a criar uma pequena ligação entre o ambiente do dia e as informações de que alguém poderá precisar mais tarde.
Uma versão curta
Se o dia estiver atarefado ou as emoções estiverem à flor da pele, siga este plano mais breve:
- Coloque 1 nome ou fotografia.
- Junte 1 objeto do quotidiano.
- Sentem-se juntos durante 2 minutos de silêncio.
- Convide 1 pessoa a contar 1 recordação.
- Anote 1 pormenor e guarde os objetos.
Isso é uma homenagem completa. Não há prémio por a prolongar.
Uma mesa de homenagem em casa não substitui o luto, a fé, a história da família nem uma visita ao cemitério. É simplesmente um lugar pequeno e adaptável onde se pode dar tempo à memória. No Dia de Todos os Santos, pode ser tudo aquilo de que uma família precisa.








